As Figurinhas

As figurinhas são feitas à mão com barro cru. Em geral, são pequenas e de cores alegres e graciosas. Embora faltem muitos detalhes anatômicos, nada impede observar a expressão e a intenção do artista.

Depois de modeladas, as peças secam ao sol e em seguida são pintadas. No seu estado final, apresentam uma estrutura muito frágil.

No Museu do Folclore, quando não estão expostas, as peças ficam acondicionadas em ”bercinhos” individuais, construídos em material inerte.

Figureiras e Figureiros

As pessoas que fazem as figuras são chamadas de figureiras. Muitas vezes, os filhos, netos, noras e outros familiares, no ‘ver fazer’, acabam aprendendo essa arte. Assim, foram os casos de D. Eugênia e seu filho Reinaldo, já falecido, da Dona Lili e seus filhos, Fatima e Benê, que também seguem a tradição.

A argila é uma matéria-prima abundante no Vale do Paraíba, por isso muitas cidades (São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Caçapava e São Luís do Paraitinga) se destacam nessa arte. Pode-se afirmar que não há similar em outras regiões do nosso país.

Figureiras retratam na argila o seu cotidiano. As figurinhas contam usos e costumes ligados às tarefas diárias, como dar milho às galinhas, lavar roupa, socar pilão, fazer comida no fogão a lenha. E também, aos animais de criação e/ou estimação, como galinhas, pintinhos, cachorro e o pavão (admirado por sua cor e beleza).

Figuras para a montagem de presépios representam cenários que abrigam José, Maria e Jesus. Os formatos são grutas, lapinhas e árvores (cujos galhos no lugar de folhas e flores apresentam os animais, os anjos, flores e estrelas).

As cenas compostas pelas figureiras apresentam-nos elementos da cultura imaterial. Ou seja, a visão do divino, do profano, do sobrenatural, os ritos e as celebrações da vida.